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Goiânia

Concurso da Câmara de Goiânia: alteração de gabarito gera revolta entre candidatos

Instituto Verbena mudou resposta de questão sobre acúmulo de cargos. Concorrentes alegam que novo gabarito contraria emenda constitucional de 2025.

30/03/2026 22:04
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Concurso da Câmara de Goiânia: alteração de gabarito gera revolta entre candidatos

Por Redação Goiás Agora

Candidatos que participaram do concurso público da Câmara Municipal de Goiânia estão questionando a alteração no gabarito da questão 25 da prova para cargos de nível superior. A mudança, promovida pelo Instituto Verbena, vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG) e responsável pela organização do certame, pode impactar diretamente a classificação final de diversos concorrentes.

O impasse envolve uma questão que tratava da possibilidade de acumulação de cargos públicos. O enunciado apresentava o caso de um professor da rede municipal aprovado em um concurso para cargo de nível médio do Legislativo estadual, e questionava se ele poderia acumular as funções.

Entre as alternativas, duas concentraram o debate:

  • Letra A: Previa a possibilidade de acumular um cargo de professor com outro técnico.
  • Letra B: Autorizava a acumulação de um cargo de professor com outro de qualquer natureza, desde que houvesse compatibilidade de horários e respeito ao teto constitucional.

Mudança no gabarito e a Constituição

No gabarito preliminar divulgado pelo Instituto Verbena, a alternativa considerada correta havia sido a letra B. Posteriormente, no entanto, a resposta foi alterada para a letra A no documento atualizado. Segundo candidatos e professores, a mudança contraria a legislação vigente, especialmente após a promulgação da Emenda Constitucional nº 138, de 2025.

O artigo 37 da Constituição Federal (inciso XVI, alínea “b”), com a redação dada pela emenda recente, estabelece que é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, “a de um cargo de professor com outro de qualquer natureza”.

Para os candidatos, a alternativa A refletiria um entendimento antigo e desatualizado, enquanto a letra B estaria em total conformidade com a norma atualmente em vigor no país. Além disso, o edital do concurso não trazia nenhum dispositivo determinando que deveria ser considerada apenas a legislação vigente até a data de publicação do documento, reforçando a cobrança da regra atual.

Pressão nas redes sociais e apelo à Câmara

Nas redes sociais, os candidatos têm cobrado explicações do instituto e da própria Casa de Leis. O argumento principal é que não faz sentido considerar uma questão desatualizada no gabarito final, especialmente em um concurso voltado para o poder Legislativo.

A indignação foi parar nos canais oficiais da Câmara Municipal de Goiânia. Uma página destinada aos aprovados de 2026 cobrou uma posição do presidente da Casa, vereador Romário Policarpo: “Como Casa Legislativa, vocês não podem permitir uma incoerência na prova de um concurso público da própria Casa de Leis”, apontando o desacordo com a Constituição Federal.

Especialistas consultados pelos candidatos também apontam a letra B como a correta com base na redação atual. Como a questão tem peso de dois pontos, a pontuação pode ser determinante para a aprovação ou eliminação no certame, já que a alteração atinge todos os concorrentes de nível superior. O Instituto Verbena ainda não se pronunciou oficialmente sobre as queixas.

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